Por Sovereign Syre, publicado no blogcritics em 29 de abril de 2009.
Traduzido por Maicon Alisson Fuzon
Eu estive ouvindo o álbum sem parar por três dias, e eu ainda o amo. It Gets Worse at Night é o esforço de estréia de Gareth Icke, e é o tipo de álbum que eu quero ouvir toda vez que eu estou ludibriada em dar uma a chance à Next Big Thing; real e convincente, sem muita pompa e com boa postura.
Quaando me deparei pela primeira vez com Icke, eu estava navegando pelo fluxo interminável de páginas de banda no MySpace, na esperança de encontrar algo novo para se perder. Como a maioria dos amantes de música nos dias de hoje, encontro-me a gastar mais tempo percorrendo os escaninhos de algo bom a realmente ouvir boa música. Isso me fez um pouco cínica... E então eu encontrei-o (ou melhor, MySpace nos atraiu)
As faixas em sua página eram simples gravações ao vivo que eram assombrosas e poderosas, e eu fui pega por uma música chamada “We Hide in Caves.” A canção era frágil e convincente em seus ecos desesperados e em sua desolação estranhamente bela.
Eu geralmente não procuro folk, mas, bem, às vezes, você só precisa de uma pausa de todo aquele death metal/goth/emo/grindcore/postpunk/new-new-new wave deixando isso um pouco de lado como a paixão juvenil nos dias de hoje e, sinceramente, fiquei impressionada.
O cantor de vinte e poucos anos vem de Ryde, um pequeno balneário da Ilha de Wight, na Inglaterra, e as canções contêm uma espécie de paisagens líricas progressivas e humildes que se encaixam com tal ambiente.
Seis meses, uma gravadora (Icon), e algum tempo no estúdio (com Dan Swift, que também gravou Snow Patrol, Aqualung, e Kasabian) mais tarde, e o que veio foi It Gets Worse at Night, uma transformação magistral daquelas baladas com alma acústica em um disco pop bem trabalhado, que não perdeu nada do seu coração; embora, na verdade, eu ainda sou uma grande fã da versão original despojada de “We Hide in Caves”.
A partir da primeira música Feels Like a Race, a voz de Icke vem abrindo os portões, lamentando aquele sentimento terrível que as coisas estão passando por você, e a vida de resistência assustadora, que às vezes exige-se. As músicas estão cheias de angústia, por vezes, tingidas com esperança e um pouco de remorso em outras, mas isso não é o tipo de confessionalismo rabugento que se tornou o pox da música indie no começo do novo milênio, nem é excessivamente um miado dramático e trágico do talento musical da cultura mais recente de bater as ondas e levá-las pelo itunes.
It Gets Worse at Night é cheio e melodias bastante otimistas e ganchos para manter um sorriso em seu rosto e ter seu pé batendo junto com a batida. Amores perdidos e noites escuras da alma são narrados em uma espécie de forma cativante desmentindo a tristeza das palavras que são cantadas, que é talvez a maior força de Icke como vocalista.
Sua voz é igualmente suave e melancólica e move-se mais fortemente quando a música cai para a quietude da guitarra simples escolhida para o acompanhamento, criando o tipo de tensão ambivalente lembrando um poema de Lord Byron ou um ensaio de David Sedaris. Mesmo quando ele está cantando sobre o tipo de solidão que se agrava à noite, há uma estranha esperança em sua voz que tranqüiliza que vai dar tudo bem no final.